terça-feira, 25 de agosto de 2009

Impressões sobre a trilha de "O Avarento"

A temporada do espetáculo teatral "O Avarento" está na metade. Muitas pessoas viram e deram suas opiniões. Congratulo-me com elogios sobre as vozes dos atores nas músicas, como ator e diretor musical - responsável pela preparação vocal.

Muitos citam que a montagem "poderia ter mais músicas", o que é interessante. Citei em meu outro blog que "acabou que da metade para o final é que as harmonias foram surgindo, não que fosse proposital - a princípio" onde digo que também não deixa de ser interessante deixar esta faceta em um "crescente".

Experimentamos uma conclusão com música de nome "Dom Tomás", onde resumimos as revelações de Molière. É uma ousadia, admito. Alguns acham que provoca estranhamento, mas muitos estão adorando a ideia - o espetáculo acaba "em cima". Leia algumas opiniões:

"Pois bem, vou me ater à uma cena do espetáculo, a qual considero ótima, para fazer e propor uma reflexão acerca da própria peça. A cena em questão é a penúltima música, cantada ao vivo pelos atores; aquela na qual descobrimos que Valério é irmão de Mariana, cujo pai rico surge do nada no final da peça prá resolver os problemas de todos. Gilberto Fonseca, o diretor, juntamente com o Marquito, compositor da trilha, brindaram a plateia com uma cena hilária, que ao mesmo tempo que homenageia a devoção do grupo pelo Molière, consegue tirar um puta sarro da situação bizarra criada pelo dramaturgo francês (vale lembrar que hoje em dia, mais de 4 séculos depois de Molière, ninguém mais acredita em Deus Ex machina, né?). Acredito que a ideia foi sublime e gerou um resultado impagável! Em suma, no dia em que eu assisti, a cena foi aplaudida por todos. Excelente!"
Daniel Colin, diretor e ator

"A música, bem composta, no entanto parece inadequada em alguns momentos (será que pela escolha do arranjo? O Marcos pode responder isso!). O mais legal é que todos cantam muito bem, afinados. É sempre bonito ver música bem executada em cena. Enriquece muito o espetáculo."
Marcelo Adams, ator

"Foi uma diversão a montagem do Avarento, no Teatro. Em primeiro lugar, não é comum ver montagens locais para clássicos, em especial de Molière, em Porto Alegre. Segundo, trata-se de uma produção cuidada, empregando padrões profissionais na atuação dos atores, nos figurinos, cenário e, especialmente, na interpretação musical." [...] "A partir da segunda metade do espetáculo, à medida em que os atores sentiram-se mais seguros, tudo começou a crescer: a alegria, o jogo, a vontade de brincar, etc.. Nessa mudança de clima destaque para a equipe de atores como um todo, para o personagem do Avarento que cresceu bastante nessa segunda etapa e para as belas interpretações musicais do final do espetáculo. Aliás, não entendi porque esse recurso não foi mais explorado durante o espetáculo, reconhecendo é claro, que introduzir canto durante corre o risco de quebrar o andamento de um trabalho cujos pilares repousam exatamente no ritmo."
Beto Ruas, professor

Agradeço as opiniões, ajudam a refletir o trabalho. As citações que incluí acima são trechos que falam da parte musical, todos escreveram mais linhas sobre este espetáculo.

Serviço: "O Avarento" continua em temporada até 06 de setembro (mais dois finais de semana), todas as sextas e sábados às 21h e domingos às 20h; no Teatro de Câmara Túlio Piva.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

14 de agosto

O AVARENTO
Grupo Farsa
de 14/agosto a 06/setembro/2009
sextas e sábados 21h - domingos 20h
Teatro de Câmara Túlio Piva
Rua da República, 575 - Porto Alegre, RS
Ingressos: R$ 20
50% para Professores, Estudantes, Classe Artística, Melhor Idade e Clube do Assinante ZH

Texto:
Molière

Elenco:
Elison Couto
Daiane Oliveira
Marcos Chaves
Lucas Krug
Ariane Guerra
Lucia Bendati
Zé Mário Storino
João Pedro Madureira

Trilha Sonora e Preparação Vocal:
Marcos Chaves
.
Mixagem:
Leonardo Vergara
.
Figurinos:
Daniel Lion

Maquiagem e Cabelos:
Elison Couto

Cenário:
Gilberto Fonseca e Lucas Krug

Iluminação:
Gilberto Fonseca

Projeto Gráfico:
Adriana SanMartin

Fotografia:
Luciana MennaBarreto

Divulgação:
Sandra Alencar

Produção:
Inês Hübner

Assistência de Direção:
Marcos Chaves

Direção:
Gilberto Fonseca

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Falando em trilha sonora...

Música de Michael Nyman: "Big my secret". Parte da trilha sonora do filme "O Piano" (1993) de Jane Campion.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Avarento

"O Avarento" estreia dia 14 de agosto no Teatro de Câmara Túlio Piva, em Porto Alegre, e terá temporada até 06 de setembro - sextas-feiras, sábados e domingos. Como já citei, sou responsável pela trilha sonora deste espetáculo teatral. Iniciamos (o grupo de envolvidos) a pensar este projeto há mais de um ano, esta foto a esquerda foi tirada em ensaios no mês de maio de 2008; a montagem ficava mais em processo de estudos. Em 2009 recebemos o prêmio Myriam Muniz (2008) e então mergulhamos no processo de criação.

Compõe o elenco: Ariane Guerra, Daiane Oliveira, Elison Couto, João Pedro Madureira, Lucas Krug, Lucia Bendati, Marcos Chaves e Zé Mário Storino. A direção é de Gilberto Fonseca.

Enquanto trilha sonora decidi por utilizar base gravada em estúdio, e músicas cantadas como naipes coral. Estou gravando no Estúdio Tríade, em Pelotas, com mixagem de Leonardo Vergara.

"O Avarento" de Molière (1668), tem como tema a usura, retrata com humor e ironia as relações afetivas estabelecidas no núcleo familiar e na sociedade norteadas pelo interesse financeiro.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Quem sou/ Contato

O que me leva a pesquisar a trilha sonora?
Uma pesquisa nasce de sua vivência, os questionamentos que surgem em sua trajetória. Como artista de teatro e música, os pontos em comum entre estas duas artes sempre me instigaram. Alio à minha experiência: teoria e a prática. Diversos cursos, espetáculos teatrais (como ator, diretor, criador de trilha sonora), etc. Sou formado em Música pela UFPEL (Universidade Federal de Pelotas), especialista em Encenação Teatral pela FURB (Universidade Regional de Blumenau) e Mestrando em Artes Cênicas pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Na Especialização a pesquisa que desenvolvi foi "A construção do ambiente sonoro no teatro para crianças" orientada pelo Prof. Dr. André Carreira; no Mestrado minha pesquisa sobre trilha sonora tem orientação do Prof. Dr. Clóvis Dias Massa.

Criador de trilha sonora
Criei e adaptei diversas trilhas de espetáculos de teatro. Em minha pesquisa sobre trilha sonora irei traçar relações com meu trabalho na montagem teatral "O Avarento", veja blog deste espetáculo. Esta peça recebeu Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2008 e estreou dia 14 de agosto de 2009 no Teatro de Câmara Túlio Piva (Porto Alegre, RS). Sou responsável pela trilha sonora, preparação vocal e direção musical; assim como outras funcões - ator, assistente de direção.

Contato
Outros detalhes sobre esta pesquisa e meu trabalho de criação de trilha sonora (informações, orçamentos, etc.), escreva para o endereço eletrônico:
marcoschaves12@gmail.com

+ net
twitter: @marcosteatro
orkut: perfil de Marcos Chaves
também no myspace ou facebook.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Conceito Teatral

Segundo Roubine os naturalistas foram os primeiros a se interrogar sobre a sonorização do espaço cênico: “se a tradicional música de cena habituada a manter um clima era um artifício que era preciso se livrar, a sonoplastia ao contrário, era capaz de intervir para reforçar a ilusão visual” (p.154).

ROUBINE, Jean-Jacques. A linguagem da encenação teatral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.

“O texto de um papel ou uma peça é uma melodia, uma ópera ou uma sinfonia. [...] Quando um ator de voz bem trabalhada e magnífica técnica vocal diz as palavras de seu papel, sou completamente transportando por sua suprema arte” (p.128).

STANISLAVSKI, Constantin. A construção da personagem. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.

"É importante ter em mente que a hoje chamada música aplicada ou trilha sonora, que designo genericamente como música de cena, é resultado de uma tradição que remonta aos primórdios da expressão artística humana" (p.17).

"Não basta à música de cena ilustrar uma situação dramática a partir dos elementos fornecidos pela narrativa verbal. É preciso que ela explore os diferentes ângulos e que interfira com suas qualidades específicas na encenação como um todo, operando basicamente com os parâmetros de espaço e tempo, densidade e velocidade da cena e, finalmente, na curva dramática" (p. 23).

TRAGTENBERG, Lívio. Música de cena. São Paulo: Perspectiva, FAPESP, 1999.